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Este blog tem por objetivo prestar auxílio aos interessados em conhecer um pouco a respeito dessa área de estudo tão fascinante que é a Psicopedagogia, compreender como se dá a aprendizagem, bem como, as dificuldades encontradas durante esse processo. Além de sugestões e atividades para a intervenção Psicopedagógica e na sala de Recursos Multifuncionais (AEE).

4 de jan de 2013

Tenho um aluno com Deficiência Intelectual. E agora, o que faço?

Os direitos à criança com NEEs (Necessidades Educacionais Especiais) devem ser respeitados, e um deles é o de frequentar a escola regular, tendo a oportunidade de conviver em grupo, adquirir novos conhecimentos e trocar experiências.

No entanto, embora alguns professores aceitem com naturalidade a diversidade em sala de aula, ter preparo para atender essa demanda é outra história.

Quando falamos em deficiência intelectual (DI) nos referimos a alunos com algumas síndromes (Síndrome de Down, Síndrome do X-Frágil, Síndrome de Prader-Willi, Síndrome de Angelman, Síndrome Williams, Erros Inatos de Metabolismo, como: Fenilcetonúria, Hipotireoidismo congênito etc.), autismo, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e outros casos que não há um diagnóstico definitivo, mas é possível perceber, no aluno, um rendimento aquém do esperado e não que se trata de dificuldade de aprendizagem.
A partir daí é possível entender que alunos com DI também diferem uns dos outros. Então, deixo claro que não existe receita pronta, mas sim algumas dicas para melhor atender as necessidades de nossos alunos e o primeiro passo é se informar sobre o assunto:

A Deficiência Intelectual, segundo a Associação Americana sobre Deficiência Intelectual do Desenvolvimento AAIDD, caracteriza-se por um funcionamento intelectual inferior à média, associado a limitações adaptativas em pelo menos duas áreas de habilidades (comunicação, autocuidado, vida no lar, adaptação social, saúde e segurança, uso de recursos da comunidade, determinação, funções acadêmicas, lazer e trabalho), que ocorrem antes dos 18 anos de idade. No dia a dia, isso significa que a pessoa com Deficiência Intelectual tem dificuldade para aprender, entender e realizar atividades comuns para as outras pessoas. Muitas vezes, se comporta como se tivesse menos idade do que realmente tem; também pode apresentar dificuldades na área motora.

Mustacchi e Perez explicam que a incidência de comprometimento intelectual na população em geral é de 3% a 5%. Esse defeito quase não diminui a viabilidade, mas pode causar alguns prejuízos como o fato de tornar a pessoa dependente de seus familiares e ou de instituições.
O tratamento preponderantemente educacional ainda é difícil e prolongado; tanto a sociedade quanto os profissionais devem estar preparados para a inclusão de qualquer indivíduo, visando a sua progressiva capacitação para o exercício da cidadania; sem deixar de lado a grande importância da prevenção.
Os milhares de deficientes moderadamente ou severamente comprometidos, que tem alta hospitalar ou institucional, devem enfrentar uma integração à vida comunitária e isso constitui um desafio à capacidade da população em lidar com a complexidade desse tipo de problema e de corresponder de forma eficaz e eficiente às suas necessidades educacionais, salutares e profissionais.

Causas do Comprometimento Intelectual

Ainda segundo Mustacchi e Perez , as causas do comprometimento intelectual são muitas e frequentemente difíceis de descobrir. Isso porque a maioria delas age na fase pré ou perinatal e, para fazer um diagnóstico etiológico, os esforços dos especialistas de equipes multidisciplinares devem concentrar-se na coleta de informações pertinentes, seja por anamnese, por exames clínicos e por auxílio de exames laboratoriais subsidiários.
São três os aspectos mais importantes:

a) A história da gravidez e do parto, que pode fornecer indícios de causas ambientais (irradiações ionizantes, drogas, infecções, traumatismos e síndromes hipoxico-isquêmicos perinatais);

b) O heredograma que pode revelar outros afetados na família ou consanguinidade entre os progenitores do probando e pode sugerir, pela distribuição dos afetados, o tipo de herança;

c) A história do desenvolvimento neuropsicomotor desde o nascimento e suas possíveis relações com infecções e traumatismos sofridos pelo paciente. Ante um caso de suspeita de comprometimento intelectual, os passos a seguir são:

1) Determinar se realmente existe comprometimento intelectual. Tratando-se de um paciente que já fala, não é difícil comprovar o comprometimento, através de simples conversa com o paciente e seus responsáveis. Todavia, se o paciente é ainda criança pequena, ou se tem nível educacional e socialização insuficientes, são aconselháveis testes especiais, pois quanto mais cedo for comprovado o comprometimento, mais precocemente pode iniciar-se a educação complementar e a prevenção específica e dirigida;

2) Avaliar o “grau” de distúrbio por meio de Q.I. (quociente intelectual) – que ao nosso ver, propõe definir arbitrariamente um potencial específico de função do sistema nervoso central, determinado por modelo poligênico o qual sofre evidentes interferências ambientais, expressando-se de formas diferentes e pertinentes a situações e a momentos do desenvolvimento; do Q.S. (quociente social) e do Q.D. (quociente de desenvolvimento).

3) Fazer, quando possível, o diagnóstico etiológico. É necessário contar com o trabalho integrado de uma equipe de especialistas que possam realizar, com competência, os exames clínicos, neurológicos, psicológicos, fonoaudiológicos e etc. Os exames auxiliares também podem ser importantes, como por exemplo: Eletrocardiograma, ecodopplercardiografia, diagnóstico por imagem, bioquímico, de laboratório clínico, citogenético e biomolecular entre outros;

4) Realização do aconselhamento genético.

Segundo Reed e Reed (1965), excluindo os afetados por síndrome de Down, que são de diagnóstico seguro, cerca de 42% dos casos de comprometimento intelectual não revelam indícios que permitam decidir se sua origem é genética ou ambiental; a etiologia é claramente genética em 29% dos casos e apenas provavelmente genética em 19%; finalmente, em 10% a causa é provavelmente ambiental. Vê-se por essa estatística que ocorrem cerca de 5 vezes mais casos certa ou provavelmente hereditários (83%) do que supostamente ambientais (17%) entre aqueles que apresentam indicações que permitem um diagnóstico etiológico.

O comprometimento intelectual se dá por várias causas:

1) Causas pré-natais: As que acontecem antes do nascimento;
2) Causas perinatais: As que acontecem durante o parto;
3) Causas pós-natais: As que acontecem após o parto.


Como proceder em sala regular?

Após se inteirar sobre o assunto, o segundo passo, e de grande importância, é conhecer seu aluno; observá-lo, para conhecer suas habilidades, necessidades e dificuldades. Observar como se dá a interação com o grupo, sua comunicação, sua forma de compreender o que lhe é passado, suas habilidades e dificuldades motoras e cognitivas.
Esse processo não é feito em um dia; na verdade conforme forem feitas as observações, as estratégias de ensino serão elaboradas. E aí chegamos ao terceiro passo: elaborar jogos, brincadeiras e atividades respeitando o ritmo e as necessidades do aluno.


Trabalhando em sala regular ou na sala de recursos multifuncionais


É importante ressaltar que o trabalho lúdico com a criança com DI é de extrema importância para seu desenvolvimento.
Atividades apenas em folhas, para aprender a ler e escrever pode prejudicar mais a criança, caso ela não tenha desenvolvido ainda as habilidades necessárias para tal.
Para o professor da Educação Infantil esse não será o problema, mas no Ensino Fundamental onde a exigência é mais conteudista é um pouco mais complicado. O professor poderá inserir em seu plano de aula atividades, jogos e brincadeiras que trabalhem as habilidades cognitivas, motoras, afetivas e sociais dos alunos; auxiliando, dessa forma, não somente aos alunos com DI, mas toda a turma, refletindo em um melhor rendimento.
Assim, seguem algumas sugestões, sempre trabalhando com o corpo e o movimento, que é de grande importância na Educação Infantil e Ensino Fundamental I.

Peteca: Trabalhando com a velocidade de reação e habilidades motoras.

Desenho de como a criança se vê e contorno do próprio corpo (feito pelo professor) em papel craft para que a criança tenha conhecimento de sua imagem e esquema corporal.

Quebra-cabeça: Capacidade de concentração, noção espacial, percepção visual e raciocínio.

Atividade de pintura a guache (utilizando pincel ou pintura a dedo): Dar espaço para a criatividade, desenvolvimento das habilidades manuais e conhecimento das cores.

Pega-varetas : Destreza, atenção e concentração

Jogos de encaixe: Criatividade, imaginação e habilidade motora para o encaixe.

Boliche: Orientação temporal, noção de força e velocidade, percepção espacial e cálculo matemático (relacionando a cor ao número de pontos).

Coelho sai da toca: Atenção, agilidade no raciocínio, habilidades motoras para saltar e correr.

Cabra-cega: Exige da criança equilíbrio, noção de espaço e estimula todos os sentidos. Para compensar a ausência da visão, a criança aguça a audição, olfato e percepção, daí a eficiência cognitiva e motora da brincadeira.

Esconde-esconde: Velocidade, noção de espaço e resistência física. A criança é estimulada a correr, disputar espaço, elaborar estratégia para não ser pega e superar seus limites. É um excelente exercício de resistência física e integração com o grupo.

Ciranda: Além da noção de espaço e equilíbrio, a ciranda revive as cantigas lúdicas que têm papel importante na formação das crianças, na medida em que despertam a imaginação e ajudam na desenvoltura na hora de se comunicar com outras pessoas.

Amarelinha: Equilíbrio, fortalecimento dos músculos das pernas, noção de espaço e trabalho com numerais.

Elefantinho colorido: Atenção, concentração, conhecimento das cores, agilidade no raciocínio e para mover-se.


*A utilização de softwares educativos, durante as aulas de informática, para o desenvolvimento cognitivo, também é interessante; basta saber qual escolher.


Fonte: http://www.apaesp.org.br/SobreADeficienciaIntelectual/Paginas/O-que-e.aspx
Genética Baseada em Evidências Síndromes e Heranças
Dr. Zan Mustacchi & Dr. Sergio Perez

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